Os Direitos Humanos não se sentem!

Quando fundámos a conceitos do mundo, uma voz na mesa, disse, e muito bem, que os Direitos Humanos não se sentem!

Estamos numa sociedade emocional, mas também onde tudo acontece de forma rápida, e consumista, onde a compra é emocional e por impulso, onde dizemos o que pensamos (de uma forma ou de outra), mas que não sentimos os Direitos Humanos. Não sentimos os nossos Direitos Humanos, nem dos que nos rodeiam.

E não se sentem porquê? Há uns tempos, numa conferência do Pedro Vieira, de nome “Inspiração para uma Vida Mágica”, ele contava o episódio da mãe, a ver uma situação na televisão de violação de Direitos Humanos, e falava, bem também (é um orador fantástico, mágico) em como, desenvolvemos anticorpos a estas situações. De facto, todas as pessoas que lidem com outras pessoas, de uma forma geral, tendem a perder a noção entre o distanciamento necessário e o nosso espírito crítico. E distanciamo-nos. Muito. Demasiado!

A nossa missão, aqui na Conceitos do Mundo, é a educação para os Direitos Humanos, criando bases para que os mesmos fiquem entranhados em cada um de nós. O nosso ativismo é mesmo esse: educar, formar para que, num futuro mais ou menos próximo, as pessoas se possam sentir em sintonia com elas próprias, com os outros e com as instituições que socialmente a vinculam.

E se, a nossa ajuda não é direta, como a da Médicos do Mundo, Cais, muitas outras organizações que fazem intervenção direta e extremamente necessária, a nossa vocação é ajudar a educar cidadãos conscientes dos Direitos Humanos que seguramente irão ser cidadãos ativos a nível social e participarão de causas meritórias e dignas.

Quando foi a última vez que sentiu “dono” de um direito? E quando foi a última vez que sentiu que lhe violaram um direito? Nos Direitos Humanos, como na vida, a violação de um direito ou a negação de um direito, origina a consciência do mesmo. No entanto, muitas vezes acontece, que, não sabendo que temos um certo direito, não lutamos, deixamos cair situações que são nossas.

Por cá, temos workshops gratuitos de Direitos Humanos para que os possa compreender melhor e agir. Temos aconselhamento também se considera que foi vítima de uma violação de Direitos Humanos. Temos encaminhamento para outras organizações se achamos que não temos âmbito para o/a ajudar na sua questão.

Por cá, temos ativistas pela educação que todos os dias se levantam com gosto nesta causa. Por cá, sentimos os Direitos Humanos todos os dias e todos os dias queremos levar mais respeito, dignidade e igualdade a quem chega até nós e a quem nós chegamos.

Os direitos humanos são como uma rede e arame farpado que nos protegem que quem nos quer invadir. Não deveriam ser, mas não. Não deveriam existir, mas existem. Os direitos humanos, se houvesse entrega, confiança, empatia, generosidade e respeito, não existiam porque não havia essa necessidade. E é essa a nossa esperança, que um dia não seja necessária a regulamentação de direitos humanos e que só exista o pleno respeito.

Por cá, que pode muito bem ser “por aí”, pensamos todos os dias em si e em quem o/a rodeia. Porque sentimos os Direitos Humanos aqui e aí. Aqui e sempre.

Artigo by Anabela Moreira

Categories: Direitos Humanos
Anabela Moreira
Anabela Moreira

A Anabela Moreira é uma das associadas fundadoras da FENIKS e é uma FENIKS. Viajou por muitos países, conheceu muitas pessoas e muitos lugares. Aprendeu com todas as pessoas que observou e com quem conversou. Trabalhou em Portugal, na Bélgica, nos EUA e em Angola. Hoje desenvolve o seu trabalho na área da gestão de pessoas (recursos humanos), formação, coaching e mentoring. E escrita, adora escrever. Assumiu diferentes funções e colaborou com empresas em diferentes estados de maturação, quer em ambiente nacional, quer internacional. Desempenhou funções relacionadas com: gestão do talento e tarefas inerentes; gestão de recursos humanos em sentido lato e formação e desenvolvimento. A nível académico, estudou direito na Universidade de Coimbra, mas foi em Psicologia e no Porto que encontrou a sua verdadeira vocação. É certificada em Coaching, PNL e estuda todos os dias mais um pouco, vê mais um pouco, ouve mais um pouco para poder ser mais cultivada. Hoje gere a UpTogether Consulting e trabalha com pessoas, para pessoas. Faz programas de shaping leaders e reshaping leaders e gosta muito do que faz. Costuma dizer às crianças que forma enquanto voluntária em educação para os direitos humanos: “quando mais soubermos, quanto mais conhecemos e sentimos, menos somos enganados”. Enfrenta cada dia com uma enorme alegria que é simples de ver e sentir!